Ler-te
sábado, dezembro 26, 2009
| Author:
A alma feminina da sabedoria
O conhecimento elemental
Preciosas palavras
Colhidas em seu estado natural
Tua leitura me fez homem
Me refez menino
Me desfez conceito.
Sigo lapidando sentimentos
Todos me ouvem
Me vêem
Me lêem
Me dissecam
Me devoram, e adoram!
De pedaço em pedaço me desintegro
Íntegro.
Torno a ser bruto e inocente como a flor
A Terra me consome, não sinto dor
Já estou entre os novos, entre os antigos.
Já estive entre os mortos
Entre os artigos, da academia.
Na prateleiras dos Andes, em livrarias
Livros?
Prantos do dia?!
A todos que me leram, que liam
Por amor, paixão ou amizade
Aos que me lerão
Espero deixar saudade
Mais que um livro frio, ou réquiemtado
Pra ignorar a ignorância
A solidão.
por Geraldo Jr.
Legado
quarta-feira, julho 15, 2009
| Author:
Escreves torto
não obstante
a linha reta
quotidiana.
Mas, escreves,
rabiscas...
O mapa do porvir
n'alma inquieta
acenará
com frases,
verdades,
equívocos:
a sublime
capacidade
de recomeçar.
por Cory Matos
Putas, como os deuses,
vendem quando dão.
Poetas, não.
Policiais e pistoleiros
vendem segurança
(isto é, vingança ou proteção).
Poetas se gabam do limbo, do veto
do censor, do exílio, da vaia
e do dinheiro não).
Poesia é pão (para
o espírito, se diz), mas atenção:
o padeiro da esquina balofa
vive do que faz; o mais
fino poeta, não.
Poetas dão de graça
o ar de sua graça
(e ainda troçam
— na companhia das traças —
de tal “nobre condição”).
Pastores e padres vendem
lotes no céu
à prestação.
Políticos compram &
(se) vendem
na primeira ocasião.
Poetas (posto que vivem
de brisa) fazem do No, thanks
seu refrão.
Ricardo Aleixo
Por Cory Matos
A crise mundial será arrefecida
No que depender de Barack Obama
Promessa prioritária está cumprida
Uma atitude que diríamos “bacana”.
Bolsas asiáticas encetam a semana
Mostrando-se imponderáveis e aquecidas
O humor da Casa Branca emana
Bons fluidos às cotações perdidas.
O “Bom dia Brasil” estampa a notícia,
“Este ícone da imparcialidade e democracia.”
Dos bons costumes, acérrimo defensor.
Promessa cumprida adredemente
É manchete: “As filhas do presidente
Já ganharam a cadelinha Bo.”
Por Cory Matos
Você não percebeu?
São as mesmas palavras sempre
Soando como carrilhões insistentes
Todos os dias em mil vidas passadas
Passados presentes hoje em mim, sentes?!
Quem é você com essa voz de destino?
Esse sou eu!
Ensurdecedor como o silencio feminino!
A lembrança que rege os anos incolores
Das sagradas horas que lhe escrevia.
Já era tarde...
O mundo dormia
O Cariri sonhava
Era noite, eu cantava
Você lacrimejava e sorria.
Sim!!!
Esse sou eu!
O mesmo que te trouxe o perigo e a salvação
Um romeiro antes sem direção
Sem padrinho, sem benção
Entoando benditos
Cabelo e barba esquisitos
Como a branca e azul melodia em questão
Esse sou eu!
Eu sou o mesmo, sempre fui!
Apenas escrevi palavras sem acento!
As abreviações nos desejos é que mudaram.
E mesmo que pra você, a cada dia eu tivesse sido um, não importa
Só vou vivendo a certeza de minhas linhas tortas
Sem medo.
Por que por aqui, sempre há muita mudança!
Os sonhos anunciam os dilúvios, mas, inevitavelmente
A calmaria sempre vem depois das tempestades!
Ainda espero os dias contados nos dedos apontando o céu.
As constelações reaparecendo nas órbitas de meus olhos
Mostrando os caminhos de minha felicidade prometida.
- Você me teme, porque sabe que trago-lhe uma certa segurança.
Entre a alma e o corpo
Tudo são desejos
Pausadas, as virgulas na língua são beijos,
Um ponto final de uma fase
Anunciando o inicio de um novo contexto.
Não recordo-me de ter sido outros com você!
Mas lembro-me de ter deixado contigo um olhar que talvez não te sirva mais
Como as profecias que não se realizaram, ou nossos irmãos que não desencantaram
Como as pedras que não evoluíram em areia ou cantaram
Como o sertão que nunca virou mar, ou o mar que nunca virou sertão.
Como a branca e azul melodia em questão, e tudo mais o que não decifraram.
por Geraldo Jr.

O anseio primeiro foi falar nas flores e seus perfumes
Que andavam no ar sem escolher a quem se oferecer,
Depois surgiu o desejo incontido de contemplar o lume
Das estrelas, deixando em versos o entardecer.
O anseio primeiro foi desvendar os olhos de saudades
De um não sei quê a bolir nos recônditos da alma
Com pensamentos e sonhos, tropeços da realidade,
Em meio a um vendaval sem fim que não se acalma.
Mas o anseio perdeu-se ante a urgência de dramas
De uma sociedade a mercê dos meandros de tramas
De políticos, empresários inescrupulosos e doleiros.
Havia o pulsar poético a desafiar a folha branca
Mas os problemas sociais e humanos que espantam
Conseguiu sufocar toda inspiração do anseio primeiro.
por Cory Matos