O presidente Lula ostenta uma das mais altas popularidades de um chefe de estado no mundo. E, considerando que está no seu segundo mandato, portanto, mais do que esperanças de um modo de governar privilegiando as classes que ao longo do tempo estiveram em segundo plano, o povo, em sua maioria, reconhece as melhorias nos indicadores sociais que avançaram em seu governo.
Embora o mundo esteja atravessando uma grave crise econômica, típica do capitalismo globalizado, o Brasil tem sofrido menos seus efeitos por estar hoje com uma economia mais sólida e, principalmente, um sistema financeiro confiável, com bancos estatais fomentando o crédito, não obstante os bancos privados teimarem em reduzir a oferta com receio da inadimplência que possa surgir, caso o país mergulhe a fundo na crise internacional.
A mídia golpista do nosso país (Veja, Folha de São Paulo, Globo...) estão constantemente masturbando o tema “crise econômica”, transmitindo aos seus leitores ou telespectadores noticiários onde o alarmismo supera a informação, num claro anseio de influenciar a opinião popular para que o índice positivo de avaliação do governo federal seja negativamente influenciado e possa beneficiar o candidato da elite a presidência em 2010.
A verdade é que a popularidade do presidente caiu em parte fruto da estratégia anteriormente citada, dando um claro sinal que o presidente necessita de contratacar com informações claras sobre a atuação do governo frente à crise e, principalmente, denunciar a mídia em todas as atuações que visam distorcer informações apresentando apenas uma parte da verdade de acordo com seus interesses.
por Cory Matos
A liberdade é o mais belo direito, dever, meio e fim que pode ser alcançado tanto por um indivíduo quanto por uma nação. Pena que muitos não pensam (pensaram) assim, como mostram todas explorações, submissões, dominações e espoliações que ocorreram e também as que ainda ocorrem, tanto de homem para homem como de nação para nação.
Para discutir a não existência da liberdade atualmente no Brasil é preciso defini-la. Nas palavras do teórico e prático anarquista Mikhail Bakunin "(...)A liberdade é o direito absoluto de todo homem ou mulher maiores de só procurar na própria consciência e na própria razão as sanções para seus atos, de determiná-los apenas por sua própria vontade(...)" Da passagem anterior decorre que a liberdade de cada indivíduo é ilimitada e que a escravidão de um representa um insulto à liberdade de todos, ou seja, um homem só é verdadeiramente livre se o mesmo ocorre com seus semelhantes.
Como corolário das reflexões anteriores concluímos que, atualmente, não há liberdade no Brasil, ao contrário do que afirmam os ingênuos e os enganadores. Uma das principais causas da inexistência da liberdade é a presença do Estado burguês como regulador da vida social, este representa apenas os interesses da própria burguesia, sendo sempre justo demais com os exploradores e injusto demais com os explorados, por demais maleável com os dominadores e excessivamente inflexível e burocrático com os dominados sob a justificativa de que representa o povo. Aos defensores deste tipo de Estado uma pergunta: quem melhor para representar o povo que o próprio povo? Daí observa-se a completa inutilidade e ineficiência do Estado burguês. Outra causa da alienação da liberdade é a simples existência das igrejas, como fontes de resignação espiritual e dominação ideológica, e o imenso e demasiado poder conferido à essas asquerosas instituições, fundadas no individualismo e na cobiça, que já causaram e continuam causando tanto mal à humanidade. Sobre os dois temas acima Bakunin escreveu: "Como nenhuma abstração existe por si mesma, nem para si mesma, como não tem pernas para caminhar, nem braços para criar, nem estômago para digerir esta massa de vítimas que lhe dão para devorar, está claro que assim como a abstração religiosa ou celeste, Deus, representa na realidade os interesses muito positivos, muito reais de uma casta privilegiada, o clero, seu complemento terrestre, a abstração política, o Estado, representa os interesses não menos positivos e reais da classe hoje principalmente, senão exclusivamente, espoliadora e que além disso tende a englobar todas as outras, a burguesia”.Outras formas de escravidão são a dominação pela mídia e toda dominação ideológica em geral, que tem como base o discurso hegemônico e seu principal produto: a globalização, mas suas formas de atuação já são bastante discutida nos textos do jornal, tornando inútil uma nova explanação.
Afim de conquistar a nossa liberdade, urge reconstruir nossa nação, tendo como base a solidariedade, a heterogeneidade e a multiplicidade de valores e como único fim a liberdade dos povos. A reconstrução, visto que é feita pelo homem e para o homem, deve excluir qualquer divindade extra-mundial, onipresente, onipotente e onisciente e deve ser feita de baixo para cima, isto é, com a participação das massas.
Se você discorda totalmente das idéias expostas acima e não é milionário, explorador ou algo parecido, sugiro que procure uma clínica para tratar-se do masoquismo. Nenhum assunto exposto acima é questão subjetiva, a história mostrará quem está certo e quem está errado. Por último tenho uma pergunta e uma frase para aqueles que consideram o jornal demasiado repetitivo: vocês não acham o mesmo das suas novelas e telejornais, diariamente expostos na mídia grande.
"O diagnóstico é o mesmo porque a doença ainda é a mesma” (Luis Fernando Veríssimo). Enquanto a sociedade não mudar, nossas críticas também não mudarão.
por Rodrigo Bezerra de Matos

Jornalista da revista Carta Capital denuncia que programa da TV Câmara que tratava das supostas revelações contidas no computador apreendido pela Polícia Federal na casa do delegado Protógenes Queiroz, referentes à Operação Satiagraha, foi retirado da página da TV a pedido do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. Leandro Fortes escreveu carta dirigida a jornalistas brasileiros relatando o caso e protestando contra a censura.O jornalista Leandro Fortes, da revista Carta Capital, escreveu uma carta aberta aos jornalistas brasileiros denunciando a prática de censura por parte do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. Segue a íntegra da carta e um dos trechos do programa, disponível no Youtube:
"No dia 11 de março de 2009, fui convidado pelo jornalista Paulo José Cunha, da TV Câmara, para participar do programa intitulado Comitê de Imprensa, um espaço reconhecidamente plural de discussão da imprensa dentro do Congresso Nacional. A meu lado estava, também convidado, o jornalista Jailton de Carvalho, da sucursal de Brasília de O Globo. O tema do programa, naquele dia, era a reportagem da revista Veja, do fim de semana anterior, com as supostas e “aterradoras” revelações contidas no notebook apreendido pela Polícia Federal na casa do delegado Protógenes Queiroz, referentes à Operação Satiagraha.Eu, assim como Jailton, já havia participado outras vezes do Comitê de Imprensa, sempre a convite, para tratar de assuntos os mais diversos relativos ao comportamento e à rotina da imprensa em Brasília. Vale dizer que Jailton e eu somos repórteres veteranos na cobertura de assuntos de Polícia Federal, em todo o país. Razão pela qual, inclusive, o jornalista Paulo José Cunha nos convidou a participar do programa.
Nesta carta, contudo, falo somente por mim.Durante a gravação, aliás, em ambiente muito bem humorado e de absoluta liberdade de expressão, como cabe a um encontro entre velhos amigos jornalistas, discutimos abertamente questões relativas à Operação Satiagraha, à CPI das Escutas Telefônicas Ilegais, às ações contra Protógenes Queiroz e, é claro, ao grampo telefônico – de áudio nunca revelado – envolvendo o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres, do DEM de Goiás. Em particular, discordei da tese de contaminação da Satiagraha por conta da participação de agentes da Abin e citei o fato de estar sendo processado por Gilmar Mendes por ter denunciado, nas páginas da revista Carta Capital, os muitos negócios nebulosos que envolvem o Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), de propriedade do ministro, farto de contratos sem licitação firmados com órgãos públicos e construído com recursos do Banco do Brasil sobre um terreno comprado ao governo do Distrito Federal, à época do governador Joaquim Roriz, com 80% de desconto. Terminada a gravação, o programa foi colocado no ar, dentro de uma grade de programação pré-agendada, ao mesmo tempo em que foi disponibilizado na internet, na página eletrônica da TV Câmara. Lá, qualquer cidadão pode acessar e ver os debates, como cabe a um serviço público e democrático ligado ao Parlamento brasileiro. O debate daquele dia, realmente, rendeu audiência, tanto que acabou sendo reproduzido em muitos sites da blogosfera.
Qual foi minha surpresa ao ser informado por alguns colegas, na quarta-feira passada, dia 18 de março, exatamente quando completei 43 anos (23 dos quais dedicados ao jornalismo), que o link para o programa havia sido retirado da internet, sem que me fosse dada nenhuma explicação. Aliás, nem a mim, nem aos contribuintes e cidadãos brasileiros. Apurar o evento, contudo, não foi muito difícil: irritado com o teor do programa, o ministro Gilmar Mendes telefonou ao presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, do PMDB de São Paulo, e pediu a retirada do conteúdo da página da internet e a suspensão da veiculação na grade da TV Câmara. O pedido de Mendes foi prontamente atendido.Sem levar em conta o ridículo da situação (o programa já havia sido veiculado seis vezes pela TV Câmara, além de visto e baixado por milhares de internautas), esse episódio revela um estado de coisas que transcende, a meu ver, a discussão pura e simples dos limites de atuação do ministro Gilmar Mendes. Diante desta submissão inexplicável do presidente da Câmara dos Deputados e, por extensão, do Poder Legislativo, às vontades do presidente do STF, cabe a todos nós, jornalistas, refletir sobre os nossos próprios limites. Na semana passada, diante de um questionamento feito por um jornalista do Acre sobre a posição contrária do ministro em relação ao MST, Mendes voltou-se furioso para o repórter e disparou: “Tome cuidado ao fazer esse tipo de pergunta”. Como assim? Que perguntas podem ser feitas ao ministro Gilmar Mendes? Até onde, nós, jornalistas, vamos deixar essa situação chegar sem nos pronunciarmos, em termos coletivos, sobre esse crescente cerco às liberdades individuais e de imprensa patrocinados pelo chefe do Poder Judiciário? Onde estão a Fenaj, e ABI e os sindicatos?
Apelo, portanto, que as entidades de classe dos jornalistas, em todo o país, tomem uma posição clara sobre essa situação e, como primeiro movimento, cobrem da Câmara dos Deputados e da TV Câmara uma satisfação sobre esse inusitado ato de censura que fere os direitos de expressão de jornalistas e, tão grave quanto, de acesso a informação pública, por parte dos cidadãos. As eventuais disputas editoriais, acirradas aqui e ali, entre os veículos de comunicação brasileiros não pode servir de obstáculo para a exposição pública de nossa indignação conjunta contra essa atitude execrável levada a cabo dentro do Congresso Nacional, com a aquiescência do presidente da Câmara dos Deputados e da diretoria da TV Câmara que, acredito, seja formada por jornalistas.
Sem mais, faço valer aqui minha posição de total defesa do direito de informar e ser informado sem a ingerência de forças do obscurantismo político brasileiro, apoiadas por quem deveria, por dever de ofício, nos defender.
Leandro Fortes Jornalista Brasília, 19 de março de 2009
Foram enviadas cópias desta carta para Sérgio Murillo de Andrade, presidente da Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj); Maurício Azedo, presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI); e Romário Schettino, presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF)
Devemos ficar mais atentos com a forma que este Ministro do Supremo atua. “Só falta agora ele querer calar a sociedade brasileira com seu pedantismo.”
por Sandro Leonel